A época das cheias do rio Níger: porque é que setembro e outubro merecem atenção
As chuvas estão a terminar no Sahel, mas a água que deixaram continua a descer em direção a Niamey, Lokoja e ao delta.
As chuvas estão a terminar no Sahel, mas a água que deixaram continua a descer em direção a Niamey, Lokoja e ao delta.
Em Niamey, o Níger sobe duas vezes por ano. A primeira cheia, chamada cheia vermelha por causa dos sedimentos que transporta, chega em agosto e setembro com a chuva nos afluentes próximos, no Níger e no Burkina Faso. A segunda, a cheia negra, começa como chuva nos planaltos da Guiné meses antes e chega a Niamey por volta de dezembro a fevereiro, depois de atravessar o delta interior no Mali. É em setembro e no início de outubro que a cheia vermelha costuma atingir o pico.
Mais a jusante, na Nigéria, o Níger junta-se ao Benué em Lokoja, e os dois picos podem sobrepor-se em setembro e outubro. As descargas das barragens a montante, incluindo a de Lagdo, no Benué, nos Camarões, somam-se ao caudal. Essa combinação provocou as graves cheias de 2012 e 2022 nos estados de Kogi, Anambra, Delta e Bayelsa, e cheias de fim de estação voltaram a deslocar muitas pessoas no Níger, na Nigéria, no Mali e no Chade em 2024.
As cheias dos rios avançam devagar, o que é uma vantagem: normalmente há aviso prévio. Acompanhe as previsões de cheias dos serviços hidrológicos nacionais e da Autoridade da Bacia do Níger, preste atenção quando as autoridades locais anunciam descargas de barragens e considere as terras baixas junto ao rio como zonas de risco até os níveis baixarem, em novembro. A chuva local também conta: tempestades fortes em solo já saturado podem inundar ruas em poucas horas, por isso acompanhe os totais diários na nossa página Chuva e monção no Sahel.